Carta do Dia: ÁS DE OUROS


    Minor-Discs-AceVaudeville A moeda, com representação material do valor que os humanos atribuem à coisas e à serviços, é um motivo bastante persistente nos ensinamentos filosóficos quando se trata de avaliar-se a pureza (índole) de alguém. O dinheiro é uma potente metáfora para os desafios que testam a nossa integridade espiritual, refinam as nossas emoções e a nossa natureza, e nos aproximam da nossa verdadeira essência e, portanto, de Deus (por favor, substitua pela palavra que melhor defina o seu próprio conceito de divindade).

     Ainda que a carta do Ás de Ouros sugira atividade, essa atividade não significa que ela seja uma geradora de idéias (que, em verdade, é o que se espera do Ás de Paus), mas é um sintoma de que é o momento de amadurecer, de dar um sentido concreto, real aos dons inatos ou talentos adquiridos e utilizarmo-nos deles para obter algo na vida. Podemos dizer que se temos algum projeto ao qual gostaríamos de nos devotar inteiramente e para o qual temos as necessárias habilidades, um talento especial, o Ás de Ouros é uma notícia bastante alvissareira de que ele dará bons resultados e que as circunstâncias estão favorecendo para iniciarmos o nosso trabalho em realizá-lo. Nas leituras, quase sempre simboliza as boas coisas da vida, tais como saúde, beleza, prosperidade, e até mesmo tempo bom, que “vai dar praia”, se esse for o motivo da leitura, evidentemente, tal é o seu vínculo com tudo o que nos é conhecido, visível, palpável. Podemos interpretar o Ás de Ouros como um presente que o Universo nos oferece, num determinado momento de nossas vidas, bastando que reconheçamos isso e o usemos da melhor maneira possível,  não o desperdiçando. Tradicionalmente essa carta é considerada “de boa sorte”, a mais promissora entre todas as 56 cartas que compõem os Arcanos Menores do tarot.

     Essa carta representa, também, a natureza dupla do ser humano, pois, como uma moeda, temos duas faces, dois lados que representam o nosso caráter. Num dos lados, estão nossas experiências e nossas expectativas. No outro, as situações futuras e seus resultados. Se um lado questiona: “De onde vim? Como foi que eu fui formado?”, o outro argumenta: “Para o que foi que eu vim? Ao que eu devo dar forma?”. Todos nós somos possuidores de alguns aspectos bastante extraordinários e de outros bem mais comuns. Cada ser humano é possuidor de habilidades e também de desvantagens. Aceitando aquilo que somos, de que somos feitos, que possuímos como nosso, que nos caracteriza e identifica, nós nos tornamos aptos para  descobrimos os nossos dons e os desenvolvermos. E quando falo em talentos ou habilidades não estou me referindo a nada excepcional (ainda que possa muito bem incluí-los), nada que nos faça entrar para o Livro do Guinness. Aceitando e integrando nossas características especiais, aquelas que nos são únicas e exclusivas, acabamos por determinar quais são os nossos talentos ou dons.

     O problema que o Ás de Ouros pode representar é o de ser um obstáculo ao desenvolvimento espiritual, algo bastante inerente ao naipe de Ouros (Pentáculos, Moedas, Pedras, Discos). Nós corremos os risco de não sabermos apreciar esse presente, esse benefício que nos é oferecido pelo Universo e nos tornamos gananciosos e egoístas, podendo nos deixar prender unicamente à superficialidade ou à forma das coisas, mas não ao seus valores mais intrínsecos. Basta pensarmos em quantos relacionamentos, por exemplo, terminam porque o que é amado é a moeda (a forma) e não o seu valor (o que o indivíduo, supostamente amado, significa ou tem a oferecer).

     Não nos é difícil reconhecer quantas pessoas, bem além da puberdade, continuam a escolher seus parceiros com o único propósito de usá-los para impressionar os outros. A pessoa de mais idade que quer ter uma beleza jovem como companhia apenas para que as outras pessoas a admirem e invejem. A pessoa mais jovem que escolhe alguém bem mais idoso, não por admirar sua sabedoria, inteligência ou bondade, mas pelo novo carro do ano e pelos presentes caros com que é agraciada. O parente, de quem os familiares sentem-se envergonhados, por ele ter uma desabilidade física ou mental qualquer, e que é deixado só. Será que a melhor oportunidade de emprego e sempre aquela que melhor paga? Será que o melhor companheiro de viagem é aquele que pode viajar dentro do mesmo estilo e padrão ao qual estamos acostumados? Essas questões todas também estão relacionadas ao plano material, ao nosso dia a dia, às nossas ações, relações, à maneira que vivemos, interagimos, nos comportamos e produzimos. Esse é o mundo retratado pelo naipe de Ouros e que é associado  ao elemento Terra. O mundo de Malkuth, a 10ª Sephirah (Esfera) da Árvore da Vida.

     Nesta quinta-feira, regida pelo otimista, generoso e opulento Júpiter, e com a Lua Cheia na casa de Sagitário, seria bastante interessante se encontrássemos um tempo para refletirmos sobre o nosso papel no mundo. Será que queremos passar por ele “em brancas nuvens” ou vamos optar por carregar todo o seu peso em nossos ombros? Aproveitemos a energia representada pelo Ás de Ouros, a nossa Carta do Dia, para nos proporcionarmos um novo renascimento, um novo começo, uma limpeza no espírito e partamos para a conquista de um mundo melhor, com criatividade e paixão.

Tenham todos um dia que propicie o encontro de novos valores no curso de nossas vidas!

Imagem: VAUDEVILLE TAROT, por F.J.Campos

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