Carta do Dia: PAJEM DE PAUS


Título Trono do Ás de Paus
Elemento Terra do Fogo
Tetragramaton He, final (a energia materializada de Yod)
Nome Divino  Adonai Ha-Aretz
Mundo Cabalístico Assiah (mundo dos elementos, da matéria e da ação)
Sephirah Malkuth (reinado; universo físico)
Correspondência Astrológica Câncer e Leão
Planeta  / Pedra Terra / Cristal de Rocha
 
    Wands11 (2) Todos os dias cruzamos com essas moças e rapazes que trabalham nos escritórios, nas empresas, num cargo chamado de “office-boy”. É uma americanização da antiquíssima profissão de mensageiro. São aquelas pessoas encarregadas de levarem ou entregarem documentos, pacotes, realizarem pequenas compras, se encarregarem de pagamentos diversos, irem a bancos, a cartórios, ficarem horas intermináveis em filas ou vencendo distâncias em ônibus ou metros lotados. Distribuem filipetas nas ruas e fazem as vezes de recepcionistas, entregando folders em eventos. Quase todos eles jovens, em seu primeiro emprego.
     São ativos, ligeiros, espertos, muito comunicativos. Sabem a melhor hora para chegarem aos caixas bancários; conhecem os nomes dos funcionários, o que lhes possibilita alguns pequenos privilégios. Estão sempre muito bem apresentáveis, vestidos nas tendências do que o modismo divulgado pelos programas de TV, pelos video-clipes dita para pessoas da idade deles. Quase todos exibem um par de óculos e um relógio de “marca” comprados no camelô da esquina, bem como um vistoso par de tênis, numa versão alternativa, importado de algum país fronteiriço. Nos ouvidos, o indefectível MP3 Player, com os hits do momento. Não importa. O que vale é que procuram, através das roupas e dos acessórios, destacarem-se e imitarem aquilo que eles acham importante, interessante ou atraente nas pessoas que admiram. De forma sadia e bem direcionada, isso também é uma forma de aprendizagem, muito comum no processo de amadurecimento, da individualização. Imita-se e depois seleciona-se.
     Podemos ver nesses jovens as qualidades que encontramos ao tentarmos descrever os Pajens: pessoas muito jovens ou inexperientes para assumirem grandes responsabilidades. Normalmente, no tarot, são interpretados como crianças (ou pelo menos com as características destas), com os lados positivos e negativos da infância. Uma criança ainda não conhece bem seus limites e pode conseguir entrar onde quer que deseje, onde seu interesse estiver. Por isso mesmo costumamos creditar os Pajens, de maneira geral, como novas oportunidades e, sobretudo, com a disponibilidade ou a necessidade de estar-se aberto a elas. Agindo como uma criança absorta numa brincadeira, num jogo, ele não está observando e, portanto, totalmente alheio às tensões e problemas que possam estar à sua volta. Por ser uma personalidade que inconscientemente se envolve em coisas alegres, agradáveis, divertidas, e por ser portador de uma aguçada curiosidade infantil, é desinibido em suas emoções e frequentemente inconsciente de que existem obrigações a serem cumpridas. Essa é uma atitude considerada yin, de polaridade negativa, feminina.
     Como os nossos citados “office-boys”, o Pajem de Paus é um caráter jovem e inocente que tenta agarrar-se às oportunidades com ambas as mãos. Como uma carta de ação (Paus = Fogo) ela produz bastante movimento, é muito energética e bastante dinâmica. Essa carta tem muito a ver com novas iniciativas, que podem surgir interna (necessidade criativa) ou externamente (através de oportunidades), que são tomadas com uma alegria e vivacidade bastante infantis, com voa vontade,  total envolvimento e sem se preocupar muito com as consequências.
     Quando bem situados entre as demais cartas de uma leitura de tarot, mas sempre levando-se em consideração a questão levantada pelo Consulente e como essa figura de Corte será interpretada (como o Consulente ou como outra pessoa em sua vida), o Pajem de Paus pode simbolizar algo inesperado que está acontecendo ou irá acontecer; novas idéias e sentimentos; possibilidade de surgirem, ou serem criadas, novas oportunidades; a chegada de mensagens ou de notícias, quase sempre excitantes e boas. Possibilidades que requerem ação imediata. Como é uma carta que pode estar se referindo a alguém bem jovem, assuntos educacionais ou escolares também podem e devem serem considerados, numa leitura.
     Os valores pessoais dessa carta, numa tiragem, podem ser compreendidas como os de uma personalidade ardente, fervilhante, energética, entusiástica, alegre, brincalhona, curiosa, novidadeira. Pode, também, representar alguém ambicioso, que não teme correr riscos, que “pega o toura a unha”, não deixando passarem as oportunidades. Costuma admirar muito e idealizar algumas pessoas, adotando-as como modelos ou ídolos.
     Como obstáculo, o Pajem de Paus numa jogada de tarot pode alertar para atitudes ou pessoas tolas, crédulas, ingênuas, mimadas, egoístas, que demonstram indiferença, com atitudes delinquentes, não confiáveis. Podem ser seres humanos que se frustram ou enervam fácil e rapidamente. Também aquelas que são caprichosas ou muito exibidas e, é claro, as hiperativas.
     Na carta do Tarot de Dali que usei para ilustrar esta postagem, o nome dado a esse Arcano Menor é Sota, que, entre diversos significados em espanhol, pode ser traduzido como “ladino”, ou como “mulher insolente e desinibida”. Se avaliarmos o fato de que os Pajens eram menores adolescentes,ainda sem grandes características ou definições sexuais, figuras quase andróginas que viviam nas cortes, distribuindo notícias, fazendo fofocas, levando recados, tendo que se esquivar de adultos muito mais espertos, e quase sempre mais ferozes, do que eles, a palavra “ladino” cai bem como “esperteza”, agir com uma certa intuição e instintivamente no sentido de preservação. Alguns tarots apresentam estas cartas sob o nome de Princesas, Filhas, Damas, numa tentativa de equilibrar a quantidade de cartas masculinas (Rei e Cavaleiro = yang) com femininas (Rainha e Princesa = yin).
     Mercúrio, o deus da comunicação, o regente das quartas-feiras, com seus pés alados, locomovendo-se rapidamente pelos ares, levando mensagens e favorecendo o aprendizado e o conhecimento, era também astuto, perceptivo, inteligente, eloquente, organizado e… fofoqueiro. Ele nos faz refletir se estamos neste momento, preparados para avançarmos. Se desejamos, sinceramente, progredir. Se não criamos barreiras, deixando de ouvir a conselhos, de nos valermos também da experiência alheia, de buscarmos as informações corretas, de nos movimentarmos com presteza e atitude em direção àquilo que ambicionamos conquistar.
     É sempre recomendável que reservemos algum tempo do nosso dia a dia para meditarmos ao quanto estamos verdadeiramente abertos aos potenciais e às possibilidades que a Vida nos oferece. A palavra Cabala significa “receber”. O Criador (substitua pelo nome, expressão ou imagem que melhor traduz o seus sentimento sobre o Divino) enche nossas taças, nossos corpos, nossas almas, nosso espírito, continuamente. Compete a nós estarmos receptivos a esses benefícios.
     Aproveite este dia de outono para pensar em começar um novo projeto baseando-se naquilo que realmente lhe inspira. Aventure-se, sem perder o controle da situação. Deixe aflorar a sua voz interior. Preste atenção ao que as crianças (isso mesmo: as crianças) lhe dizem. Eles podem estar exercendo, naquele momento, o papel de Pajens de Paus, trazendo-lhe boas novas! E, falando em boas-novas, basta lembrarmos que, de acordo com o Novo Testamento, o Arcanjo Gabriel veio como mensageiro (pajem, valete) divino anunciar à Maria que ela seria a mãe do Salvador.
     Tenham todos uma ótima e inspirada quarta-feira!
    
Ilustração: TAROT DE DALI

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